"BIOGRAFIA"

Adelina Velho Palma

 

Maria Adelina Nunes da Fonseca Velho da Palma – Adelina Velho da Palma - nasceu a 30/1/54 em Lisboa e é do signo Aquário.
É licenciada em Matemática pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa onde foi assistente de Análise Matemática, após o que iniciou e seguiu uma carreira dedicada à Informática. Começou a escrever em 2002, prosa e poesia.
 
 tendo publicado o primeiro livro em Maio de 2005, uma colectânea de contos intitulada AREIAS MOVEDIÇAS E OUTRAS HISTÓRIAS DE INQUIETAÇÃO, com a chancela da Editora Pé de Página. Seguiu-se-lhe O GATO DAS OITO VIDAS, outra colectânea de contos em Dezembro de 2006, e A BOA A MÁ E A VILÃ, uma terceira colectânea, em Abril de 2008.Fazendo uso de um estilo narrativo muito próprio, intenso e linear, desprovido dos artifícios e figuras de estilo tão em voga, a autora prende o leitor desde a primeira página, explorando com mestria a natureza misteriosa e desconcertante da alma humana. Comédia e drama convivem lado a lado nas suas narrativas de onde saltam mundos, sendo o leitor forçado a aderir ao seu jogo, deixando-se conduzir suavemente pelo meio das suas tramas admiráveis, aguardando o desvendar do enigma que cada uma das histórias encerra. No que concerne a poesia, Adelina Velho da Palma prima pela escolha de temáticas originais, com rasgo, ao mesmo tempo que privilegia o rigor da rima e da métrica. Gosta particularmente de escrever sonetos, tendo já redigido algumas centenas. Uma selecção de poemas assim como excertos das suas obras em prosa podem ser lidos na sua página pessoal. Membro de "Confrades da Poesia"
 
Bibliografia:
"Areias movediças e outras histórias de inquietação"; "O gato das oito vidas"; "A Boa a má e a vilã"; "eu, invisual, me confesso".
 

 


HINO À MATEMÁTICA
 
Eu canto a tua beleza
ó rainha das ciências,
fora de ti a certeza
é apenas aparências...
 
Toda tu és perfeição
de lógica inabalável,
abstracta inspiração,
sempiterna, invariável!
 
Enquanto as outras ciências
vivem de investigação,
tu dispensas experiências
só da mente és construção!
 
Por isso foste a primeira
e tudo a ti se reduz,
nasceste desta maneira:
- Agora faça-se a luz!
 
És feita de absoluto
e por isso és intangível,
para tudo tens soluto
somente tu és credível!
 
A lógica em ti reside,
fora de ti nada a tem,
por isso só quem decide
com base em ti o faz bem...
 
Sobrepões-te ao que é vulgar,
pairas sobre o que é real,
mas consegues modelar
mais que qualquer material...
 
E apesar de imutável
derivas constantemente,
evoluindo notável
de ti mesma dependente!
 
Ninguém deixas indiferente,
geras emoção a esmo:
ódio de quem te é temente,
quem te entende, ama-te mesmo!...
   
Mas não são muitos aqueles
de quem és a predilecta,
como muito esperas deles
também nisso és mui selecta...
 
Só em ti eu acredito
p’ra solucionar problemas,
tudo acaba por ser dito
nalgum dos teus teoremas...
 
Só me entrego à tua arte...
Só por ti meu cérebro vive...
A ti devo a melhor parte
do gáudio que já obtive...
 
Transportas-me para um mundo
onde tudo faz sentido,
teu recôndito profundo
refrigério meu tem sido...
 
Deste-me este privilégio
de teu âmago abarcar,
teu supremo sortilégio
obriga-me a te cantar...
 
A meu frágil cérebro peço
conserve tua afeição...
Pois só a ti eu conheço
próximo da perfeição!...

Adelina Velho da Palma - Lisboa
 
 
 
 
O CAPATAZ


Gostas demasiado de quem és
tens-te em alto conceito e gabarito
imbuído que estás do requisito
de um comandante ao leme no convés!...

P’ra todos olhas d’alto e de viés
semeando oposição e conflito,
nunca perdes de vista o maior fito
de juntar triunfos ao palmarés!...

Afloras os assuntos de resvés
a não ser que constituam delito
d’alguém a quem queres calcar aos pés!...

Aos teus proventos vives circunscrito!...
Não pasmes se ao sofreres um revés
te brindem com um sólido manguito!...
 
 
 



BULIMIA


Devora tostas, bolachas e pão,
ataca a fundo a manteiga e o queijo,
ingurgita ao som de gorgolejo
bebidas doces com gás à pressão...

Nem mastiga, tal a sofreguidão
de saciar da gula o vil ensejo,
e só abranda este ofegante arquejo
quando se sente em total repleção...

Mas a calma mal dura um breve instante
pois recusa sofrer o aviltante
rescaldo do excesso cometido...

E usando um método radical
provoca em si a rejeição total
do que foi tão vorazmente engolido!...

 
 
 
 
 
 
 


O CONGRESSO DE IT
 

Três pavilhões com bancas e cartazes,
auditórios, apresentações,
fornecedores e demonstrações,
consultores aptos e eficazes!...

Todos se apregoam os mais capazes,
oferecendo as melhores soluções,
prometendo nas implementações
reduzir custos, emagrecer fases...

Congressistas vagueiam distraídos,
bebem cafés, saúdam conhecidos,
arrecadam Tshirts e canetas...

No final pouco ou nada se aprendeu,
mas p’ra muitos foi um dia no céu,
sem reuniões, nem prazos, nem metas...
A DECADÊNCIA


Ter de aceitar, meu Deus, a decadência,
a mão que treme, o olho que não vê,
o cansaço sem como nem porquê,
a dor, a fealdade, a macilência…

Ter de aceitar o que a inteligência
receia e escamoteia mas prevê,
ter de aceitar que se está à mercê
de um fatal poder sem complacência…

Ter de encarar a mais dura verdade
com armas e bagagens de menina
colocada ante uma enormidade…

E mesmo assim zombar da guilhotina,
de tudo extrair felicidade
porque a vida é dádiva divina!...



ESTA DOR


Dói-me esta dor que dói tão dolorida,
dói-me esta dor que dói atormentada,
feita de dor somente, amargurada,
como uma dor de muita dor sentida...

É uma dor só de dor preenchida,
é uma dor só com dor misturada,
plena de dor e cheia de mais nada
a não ser a própria dor assumida...

Uma tal dor é permanente ferida
que a mesma dor retalha magoada
p’ra conservar a dor bem padecida...

É uma dor que quero bem guardada...
Apesar de me destroçar a vida
só por ela permaneço acordada!...



A EXTRAVAGÂNCIA


Gosto de ti - mas quero-te à distância
Fora do Tempo e Espaço que me assiste
Na dimensão em que o amor resiste
E tudo o resto não tem importância...

Gosto de ti - mas noutra circunstância
Alheia a toda a memória triste
Onde as feridas dos golpes que desferiste
Cicatrizaram em primeira instância...

Gosto de ti - num limbo sem substância
Como ideia com lastro que persiste
De um sonho acalentado na infância...

Amo-te - mas meu amor destruíste
Por isso agora eu vivo a extravagância
De um sentimento amar que não existe!...
 
 
 
NÃO TE VI                         
 
Não te vi. Não chegaria a ver
o teu caixão cheio de margaridas
naquele hiato entre duas vidas
que separa um ser do outro ser…
 
Não te vi. E não pude reter
a última visão das feições queridas
das mãos entrelaçadas e unidas
do doce olhar que cego sabe ver…
 
Não te vi!... Mas pude imaginar
véu, cortejo, féretro e altar
da morada onde foste recolhida...
 
Não te vi!... Ver-te-ei além do mar
naquele venturoso limiar
aonde as margaridas são de vida!...

 
 
A FÉ                                      
 
Não tenho que Te ver p’ra crer em Ti
não tenho que Te ouvir p’ra Te escutar,
sei somente, e esse acreditar
é absoluto e impõe-se por si!...
 
De todas as premissas desisti
na tentativa da fé explicar,
o que não se pode justificar
demonstra-o o poder que advém daí...
 
Com a fé consigo mover montanhas
empreender improváveis façanhas
persistir na busca do ideal...
 
A fé em mim mesma é a fé em Ti
e por esta empatia descobri
que tudo aquilo em que creio é real!...
 
 
 
 
 
 
 
OS CHAKRAS
 

O vermelho é a terra, a protecção,
a raiz que sustém o esqueleto,
o laranja é a água, a sensação,
o sexo conducente ao ser projecto...

Amarelo, fogo, libertação,
controlo do poder e intelecto,
o verde é o ar, a percepção,
oferecimento de amor completo...

O azul é éter, intuição,
abundância e manifestação...
O anil, som do espiritual,

alma no nirvana apaziguante...
O violeta, luz irradiante,
fusão e consciência universal!.
 
 
 
 
COLESTEROL
 

Manteiga, banha, sebo de carneiro
óleo de fritar velho e requentado
molho de carne frio e coalhado
toucinho mais chouriço e farinheiro

torresmo carbonizado e grosseiro
azeite rançoso e adulterado
incorporam o quimo mastigado
engrossando o sangue do hospedeiro...

Chanfana, sarrabulho e cabidela
geram gordura verde e amarela
que se transforma em pedras na vesícula...

Untos viscosos flúem na corrente
aderindo às paredes lentamente
construindo intransponível cutícula...
 
 

"CONFRADES DA POESIA"

http://www.confradesdapoesia.pt/Lusofonos.htm

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